home Investimentos, Startup Robô faz em segundos o que demorava milhares de horas para um advogado

Robô faz em segundos o que demorava milhares de horas para um advogado

Uma nova era de automação nos investimentos e negócios está agora em movimento com o poder da computação mais barato fazendo os grandes players terem receios de perder clientes para startups

No JPMorgan, uma máquina de aprendizagem está analisando pilhas de acordos financeiros que em outras épocas mantiveram equipes jurídicas ocupadas por milhares de horas.

O programa, chamado COIN (Contract Intelligence), ou Inteligência de Contratos, faz a tarefa de interpretar acordos de empréstimo comerciais que, desde de que o projeto foi lançado em junho de 2016, consumiu 360.000 horas de tempo de advogados por ano. O software revê os documentos em segundos, é menos propenso a erros e “nunca pede férias”.

 

 

A indústria financeira vemm sempre se vangloriado de suas inovações tecnológicas, mas uma nova era de automação está agora em ação, o poder da computação barata criam receios de os grandes bancos perderem clientes para startups que atuam no chamado “fintech“, empresas de pequeno porte que criam soluções “não convencionais” para o mercado financeiro.

A iniciativa do JPMorgam foi possível por causa dos investimentos em softwares de aprendizagem de máquinas e também da construção de uma nova rede de nuvem privada, o COIN é apenas o começo para o maior banco dos EUA. A empresa criou recentemente centros de tecnologia para equipes especializadas em bigdata, robótica e infra-estrutura em nuvem para encontrar novas fontes de receita, reduzindo despesas e riscos.

O impulso para automatizar tarefas corriqueiras e criar novas ferramentas para o banco e seus clientes faz uma parte crescente do orçamento de tecnologia da empresa que já chega na casa de US $ 9,6 bilhões.

Por trás dessa estratégia, supervisionada pelo Diretor de operações Matt Zames e pela Diretora de Informação Dana Deasy, existe uma tendência por maior agilidade: embora o JPMorgan tenha saído da crise financeira como um dos poucos grandes vencedores, seu domínio estará em risco se não buscar agressivamente novas tecnologias, segundo revelam entrevistas feitas com meia dúzia de executivos de bancos.

 

 

Software Redundante

“Matt disse: lembre-se de uma coisa acima de todas as outras: nós precisamos ser os líderes em tecnologia para serviços financeiros”, comenta. “Tudo que fizemos desde então surgiu dessa reunião”.

Depois de visitar empresas como a Apple e o Facebook para entender como seus desenvolvedores trabalhavam, o banco decidiu criar sua própria rede em nuvem chamada Gaia, que entrou em operação no ano passado. Os trabalhos com machine learning e big data agora são rodados através da plataforma privada, que tem efetivamente capacidade ilimitada para suportar sua sede por poder de processamento. O sistema já está ajudando o banco a automatizar algumas atividades de codificação e tornar seus 20 mil desenvolvedores mais produtivos, economizando dinheiro, segundo Zames. Quando necessário, a empresa também pode acessar serviços de nuvem externos da Amazon, da Microsoft e da IBM.

O orçamento total de tecnologia do JPMorgan para este ano representa 9% da sua receita projetada – o dobro da média da indústria, de acordo com a analista do Morgan Stanley Betsy Graseck. Um terço desse orçamento é destinado a novas iniciativas, algo que Zames quer elevar para 40%. Ele acredita que economizar com automação e aposentar as velhas tecnologias o permitirão canalizar mais dinheiro ainda em inovações. Nem todas as apostas do banco compensarão, mas segundo o executivo “tudo bem”.

 

 

Despesas tecnológicas

A JPMorgan disponibilizará parte da sua tecnologia baseada em nuvem a clientes institucionais no final deste ano, permitindo que empresas como a BlackRock acessem saldos, pesquisas e ferramentas de negociação.

O orçamento total de tecnologia da JPMorgan para este ano representa 9% da sua receita projetada – o dobro da média da indústria, de acordo com o analista Morgan Stanley Betsy Graseck. A cifra sube ainda mais à medida que a JPMorgan reforça as defesas cibernéticas após uma quebra de dados em 2014, que expôs a informação de 83 milhões de clientes.

Um terço do orçamento destina-se a novas iniciativas, uma figura que a Zames quer levar para 40% em poucos anos. Ele espera economias de automação e aposentar a velha tecnologia vai permitir que ele arado ainda mais dinheiro em novas inovações.

 

‘Não pode esperar’

“Estamos dispostos a investir para ficar à frente da curva, mesmo que, em última análise, parte desse dinheiro vá para produtos ou serviços que não eram necessários”, disse Marianne Lake, chefe de finanças. Isso é “porque não podemos esperar para saber a que o resultado, no final, realmente parece, porque o ambiente global está se movendo muito rápido.”

No que diz respeito à COIN, o programa ajudou a JPMorgan a reduzir os erros de manutenção de empréstimos, a maioria resultante de erro humano na interpretação de 12.000 novos contratos por ano, de acordo com os seus criadores.

O JPMorgan está buscando maneiras de implantar a tecnologia, que aprende através da analise de dados para identificar padrões e relacionamentos. O banco planeja usá-lo também para outros tipos de analises legais complexas, como contratos de swaps e acordos de custódia. Algum dia, o banco poderá usá-lo para ajudar a interpretar os regulamentos e analisar as comunicações corporativas.

 

 

Criando Robôs

Para tarefas mais simples, o banco criou Robos para executar funções como a concessão de acesso a sistemas de software e responder a solicitações de TI, como a redefinição da senha de um empregado, disse Zames. Os bots  (como são chamados internamente) devem lidar com 1,7 milhão de solicitações de acesso este ano, fazendo o trabalho de 140 pessoas.

Enquanto um número grande de pessoas se preocupam que tais avanços podem algum dia tomar seus empregos, muitos funcionários de Wall Street estão mais focados em benefícios. Um levantamento feito pelo Options Group, com mais de 3.200 profissionais da área financeira, descobriu que a maioria espera que novas tecnologias melhorem suas carreiras.

“Estamos começando a ver os verdadeiros frutos do nosso trabalho”, disse Zames. “Isso não é algo improvável.”

 

fonte: Bloomberg